Construções rurais no Nordeste Paulista
- Matiza Rigobello Lima

- 17 de fev.
- 2 min de leitura

Inserida na chamada Região do Nordeste Paulista, Mococa, como outras cidades, foi fundada no final do século XVIII. pelos chamados “entrantes”, que eram mineiros vindos do final do ciclo do ouro das Minas Gerais.
Foi denominada a “mais mineira das regiões paulistas”, referência feita, além de todo o contexto cultural, às construções rurais mineiras, casas feitas para o trabalho, rústicas e com poucos ornamentos e objetos. A pecuária era predominante, até a chegada do café, já no final do XVIII e no início do século XIX.
O botânico francês Saint Hilaire, que por aqui passou nos anos de 1800, registrou essas características das construções rurais e suas curiosidades, ligando a arquitetura com o modo de vida e costumes.
Temos aqui em Mococa muitas dessas propriedades rurais, como a Fazenda Nova, Fazenda Fortaleza, Água Limpa e tantas outras, especialmente no caminho para Igaraí. As técnicas construtivas do pau a pique ou taipa de prumo, as construções em gaiola, o desenho e disposição dos cômodos, foram largamente utilizadas nessas construções.
Curioso no seu texto é se referir aos jardins como “espaços femininos”:
()...”os jardins são sempre situados por trás das casas, são para as mulheres uma fraca compensação de seu cativeiro, e como as cozinhas, são escrupulosamente interditados aos estrangeiros." (SAINT-HILAIRE,1975:96)
Na cidade, temos pouquíssimos vestígios na arquitetura deste período, infelizmente. Tudo já foi substituído por outras construções posteriores. No nosso primeiro núcleo urbano, hoje praça do Mercado, existia a chamada Matriz Velha, uma construção com a tipologia arquitetônica do período colonial, que foi demolida logo após a construção da Matriz Nova, em 1986. E, no seu lugar, já na década de 1920, a Igreja Nossa Senhora do Rosário foi construída.
O desenho da cidade foi então substituído pela arquitetura eclética, no seu período de cultura européia. Mas é na zona rural, onde se pode ver ainda os vestígios deste momento da ocupação dos entrantes mineiros e sua cultura, expressa tanto na arquitetura como no modo de vida, na gastronomia, no jeito de viver e falar, como observamos até hoje em nossa cidade.
Temos um maravilhoso conjunto de fazendas que expressam este período histórico e que tanto tem para mostrar e ensinar às novas gerações. Formam um atrativo turístico cultural impressionante e muito expressivo.
Matiza Rigobello Lima é arquiteta e artista visual em Mococa.
Instagram: @vivaioprojetoscomarte





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